Live 8 e as máscaras


Aproveitei a noite para rever os DVD’s do show Live 8, realizado em julho de 2005 em diversas cidades do mundo, simultaneamente: Londres, Roma, Berlim, Filadélfia, Toronto etc. É um belíssimo show que me traz muitas e muitas lembranças. O show foi organizado por Bob Geldorf e o seu objetivo principal era arrecadar fundos para o combate a AIDS na África.

Como um adolescente qualquer sempre gostei muito de shows. Nos bailes e shows pela minha vida afora, sempre me diverti e dancei muito. Quantas baladas! Lembro-me como se fosse hoje da minha ida ao show do KISS no maracanã (1985) – aquela banda cujos componentes tinham os corpos todos tatuados e lançavam labaredas de fogo pela boca. Não fui ao Rock in Rio, mas frequentei os shows das bandas de minha adolescência: Barão Vermelho, Titãs, Kid Abelha, Lobão e os Ronaldos, Paralamas do Sucesso e tantos outros.

Curtição era ir às exposições agropecuárias no interior de Minas e Rio. Ao assistir o Live 8 estas memórias gostosas retornaram a minha cabeça. A adolescência é um período profundamente verdadeiro de nossas vidas, ocasião em que a gente tem a nítida impressão de que as máscaras são bem poucas, ou quase nenhumas jogo limpo, será?

Sempre gostei de música e de boate, porém, tenho frequentado pouco, isto me faz falta. Os filhos crescem, os compromissos aumentam, os personagens e suas máscaras crescem em nós e a logística para aproveitar a night é sempre complexa, há que se ter muito esforço, reconheço. Preciso evoluir...  O fato é que uma vida regada à música e dança é uma vida especial, uma vida saborosa e prazerosa, é impossível ser infeliz dançando, seja numa boate ou num festival de dança – para aqueles que fazem da dança uma forma de viver. Live 8 me deixou inspirado!

O interessante na vida é que ela vai nos colocando em papéis (personagens): ser pai ou mãe, ser profissional do direito ou de outra área ou mesmo não ser um profissional, ser professor ou ser aluno, ser religioso ou ser um não crente, enfim, vamos incorporando vários perfis ou não, e muitas das vezes vamos criando uma máscara (ou várias) que acaba nos desvirtuando do que de fato somos (e o que somos?), e acabamos nos transformando em nossos personagens, e o que é curioso, acreditando nos personagens que criamos para nós mesmos, puro autoengano. Não que as máscaras por si só sejam ruins, mas viver é incorporar personagens, pense nisto.

Corremos o risco de ficar mascarados, tipo assim, aquela máscara que o Neymar gosta de colocar no rosto após fazer um gol, lembra-se? Essa máscara pode chegar a um ponto em nossa vida, que nos deixe até mesmo confuso sobre a nossa própria identidade. Nos olhar nos espelhos da vida e deparar com as máscaras que criamos para nós mesmos não é uma tarefa fácil, afinal, foi com elas que “vencemos ou não” na vida, não é? Imaginemos por um segundo pelo menos, o que seria de nossa vida sem as nossas máscaras? Assusta, né? Na juventude havia menos máscaras e mais shows, será?

Minha esposa foi com uma de minhas filhas a Joinville-SC assistir e participar do maior Festival de Balé do Brasil acho que por isso nos apaixonamos, a dança nos uniu, ela nos palcos e eu nas boates da vida, mas sempre tendo a música como pano de fundo. Enquanto ela vai eu fico aqui assistindo Coldplay, U2, Dido, R.E.M, Black Eyed Peas, Duran Duran, Keane, Pet Shop Boys, Maroon 5, Pink Floyd, Robbie Willians e tantos outros, ao mesmo tempo que reflito sobre minhas alegrias e máscaras.

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