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Seu Otávio e a Loteria Nacional

Seu Otávio é um apaixonado em jogos, e mais especificamente nos jogos promovidos pela loteria nacional. Trabalha no campo e sempre diz para amigos e familiares que ficará rico jogando na loteria. Cultiva o campo, trabalhado duro e fatigante, e toda semana vai à cidade fazer o seu joguinho da loteria. Sua família implica com ele alegando que ele gasta o pouco que ganha com besteira, já que jogo só faz a pessoa se perder. Seu Otávio joga até escondido para não ter que ouvir os reclamos da mulher e filhas. Jamais ganhou um centavo sequer, mas não desisti. Uma bela semana veio o resultado na rádio local, o vencedor da loteria nacional era o portador do bilhete terminado com o número 48. Seu Otávio, convicto, jogou a enxada para o lado, e gritou para os amigos no campo: ganhei! ganhei! ganhei! nunca mais vou trabalhar aqui... Logo logo a imprensa chegou à Fazenda onde Seu Otávio trabalha. Todos os repórteres querem saber como Seu Otávio acertou o número 48. Sentado numa cad...

Dona Zélia

A viúva rega as flores do jardim, a neta passa perto da vó, lasca-lhe um beijinho no rosto e diz a ela que vai ao Shopping Olga Sola com a amiga. Dona Zélia é viúva do funcionário do Banco do Brasil, Sr. Alfredo, e também é aposentada do Banco Central, onde terminou a carreira lotada em Brasília, no cargo de gerente financeira. O casal só teve uma filha, que morreu em acidente de avião no Peru, deixando uma neta que preferiu morar com a vó ao pai, que mora no sul do país e constituiu nova família. Dona Zélia sempre fez todas as vontades da netinha, que criou como filha fosse. Luana tornou-se uma adulta acostumada com tudo de bom e do melhor, desde as viagens ao exterior às roupas de marcas. Ambas, vó e filha eram muito religiosas e amigas, inclusive, chegaram a participar juntas da caravana para ver a chegada do Papa Francisco ao Brasil. Só uma coisa incomodava dona Zélia, o gasto excessivo de Luana, principalmente quando se unia as amigas de alto poder aquisitivo. Luana viaja...

O traficante

Naquela favela o tráfico tudo dominou, a própria polícia está contaminada pelo poder financeiro dos transgressores da lei. Os moradores, reféns da situação, pouco podem fazer senão acolher as ordens dos chefes do tráfico. O sonho da população é a chegada de uma UPP (Unidade de Policia Pacificadora), porém, o Governo nem toca no assunto. Zé do Bode é o chefe do tráfico, e Mequetrefe o tesoureiro e executor dos malfeitores na ótica de Zé do Bode. Nos bailes funk, Zé do Bode escolhia as melhores meninas e seus comparsas eram encarregados de trazê-las para sem comidas. Não havia escolhas para as adolescentes bonitas da favela, ou se mudavam, ou viravam comida de Zé do Bode caso descobertas por seu olhar criminoso e sádico. Final de semana era dia de acerto com o Zé do Bode. Os aviões (vendedores de drogas) tinham que dar conta financeira do quantitativo de drogas recebida durante a semana. A cena era pesada. Num quarto de uma casa da favela os capangas levavam para Mequetrefe (t...