Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Adélia Prado

Poema esquisito - Adélia Prado

Imagem
"Poema esquisito" Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos. Não é hábito. É rarissimamente que ela dói. Ninguém tem culpa. Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos, não existe mais o modo de eles terem seus olhos sobre mim. Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos? É dentro de mim que eles estão. Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão. Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa, que abunda nos cemitérios. Quem plantou foi o vento, a água da chuva. Quem vai matar é o sol. Passou finados não fui lá, aniversário também não. Pra que, se pra chorar qualquer lugar me cabe? É de tanto lembrá-los que eu não vou. Ôôôô pai Ôôôô mãe Dentro de mim eles respondem tenazes e duros, porque o zelo do espírito é sem meiguices: Ôôôôi fia. "Poesia reunida". In ( Bagagem) . ADÉLIA PRADO

Orfandade - Adélia Prado

Imagem
"Orfandade" Meu Deus me dá cinco anos Me dá um pé de fedegoso com formiga preta, me dá um Natal e sua véspera, o ressonar das pessoas no quartinho. Me dá a negrinha Fia para eu brincar, me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe. Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável, me dá a mão, me cura de ser grande, ó meu Deus, meu pai, meu pai. ADÉLIA PRADO - in "Poesia reunida"

Adélia Prado, a maior poeta brasileira viva, fala à Sidney Silvestre do Espaço Aberto Literatura - PARTE 2/2

OBSERVAÇÃO MINHA - É um presente de Natal: assim posso resumir esta entrevista de Adélia Prado a Sidney Silvestre. No auge de sua maturidade artística e existencial, Adélia Prado nos fala do que efetivamente importa na vida . Passagens emocionantes e um FINAL ÉPICO! Não deixem de assistir as duas partes, e até o final, porque o melhor virá no fim!

Adélia Prado, a maior poeta brasileira viva, fala à Sidney Silvestre do Espaço Aberto Literatura - PARTE 1/2