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Comigo não violão

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Geralmente gosto de ler estilos que se opõem a minha forma de colocar-me no mundo. Fico com aquela ponta de inveja... Por exemplo, leio Diogo Mainardi, Gustavo Corção, Nélson Rodrigues, Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé e Paulo Francis. São autores que escrevem de uma maneira incisiva. É preto no branco. Assumem posições firmes. Tal perfil é o meu oposto. Adoro-os. Paradoxos da existência. Por exemplo, estou lendo de Paulo Francis “O diário da corte”, uma seleção de crônicas recentemente lançadas pela Editora Três Estrelas, inclusive, com posfácio de Luiz Felipe Pondé. O livro é bárbaro, dá uma sensação gostosa em ver tanta autenticidade em uma única pessoa. Francis, realmente, é encantador. Ame-o ou deixe-o. Eu? Nem tanto. Enfim, adoro os autores que não consigo reproduzir, não obstante também goste muito daqueles que são verdadeiramente parecidos comigo no modo de existir. Neste particular, há um que me chama muito a atenção. É Alceu Amoroso Lima. Há uma passagem do livr...

Cartas do Pai - Alceu Amoroso Lima

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Estou lendo este belíssimo livro que reúne mais de 30 anos de correspondência ativa do carioca Alceu Amoroso Lima (1893-1983) endereçada à sua terceira filha, Lia, que ingressaria no Mosteiro Beneditino de Santa Maria, em São Paulo, no ano de 1951, adotando o nome de Maria Teresa.  Destaco no momento esta passagem que está às págs. 83: "A fé é precisamente a luz na escuridão. Se não houvesse escuridão não haveria fé. Esta não é apenas luz. É luz no escuro. É uma luz que não suprime o escuro. Ao contrário, é uma luz que supõe o escuro. Que não existe sem ele. Que só existe porque há o escuro. " Esta carta está datada de 11/01/1959, Nova York, Domingo da Sagrada Família