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A árvore da vida

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Assisti ao filme “A árvore da vida” do norte-americano Terrence Malick, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, agora em maio. Ou o filme está além do que é possível, ou eu estou aquém do que é necessário. Ou, talvez, ambos. A abertura inicial é linda quando ocorre uma citação do   Livro de Jó , do Antigo Testamento , onde Deus pergunta, "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? ... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Uma luz misteriosa e vacilante, que lembra uma chama, emerge. Esta parte é fantástica, por que de cara demonstra o tamanho ínfimo do homem diante de Deus. Aí Malick acertou em cheio. Adoro de paixão o Livro de Jó. Também é adorável, como parte da cena inicial, o momento em que a matriarca da família O'Brien diz que na vida temos que optar em viver pela graça ou pela natureza. Lá, generosidade, compaixão, misericórdia, aqui, egoísmo, desejo incontido, ferocidade. No filme a mãe representa a graça e...

Sexo casual

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Sobre o conceito de liberdade muitas correntes filosóficas se manifestam. Liberdade como direito de fazer tudo que se quer desde que não fira o direito do outro, liberdade como maximização da felicidade em contrapartida com a dor, enfim, liberdade é sempre um tema recorrente e atual. Kant no século XVIII, secundado por Alceu Amoroso Lima no Século XXI, dizia que liberdade é fazer o que se deve. Mas o que se deve fazer? Tratar a todos como seres humanos que são um fim em si mesmo, jamais um meio. Evidente que isto é um princípio moral, portanto, não empírico, não sensível, mas racional ou categórico na linguagem kantiana. O tesão é amoral, porque puro desejo. O desejo não reconhece a lei, senão a lei do desejo. O homem é um animal racional já o disse Aristóteles. Animal, quer dizer, fome, vontade, desejo, paixão, pura biologia. Todavia, também o é razão. É a razão que diz para o homem que ele é um sujeito que tem dignidade por si só. A razão não é uma lei externa ao homem, é uma lei...

"O conto do amor"

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Fui a Juiz de Fora com Nasta. Primeiro fui fazer coleta de sangue e após, ela foi ao comércio e eu procurei reencontrar a livraria Liberdade na Rua Santa Rita. Tinha um tempão que não ia à livraria que muito frequentei quando era sócio de um escritório de advocacia. Quantas e quantas vezes abandonei minha sala, passei a mão em meu casado e fugi para livraria Liberdade em Juiz de fora. Foi bom revê-la. Está mais modernizada mais continua assim, pequenina como sempre. Olhei a estantes e lembrei-me que estava com desejo de ler alguma coisa escrita por Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da Folha . Pedi ao atendente que fizesse uma pesquisa no micro e apareceram dois livros de Contardo, “Adolescência” e “O conto do amor”. Passei os olhos, li a orelha e fiquei com o segundo. Voltei para o estacionamento, abri os vidros do carro e fui ler “O conto do amor”. Tenho tido grandes alegrias na leitura de romance, dia desses li Cristóvão Tezza, “O filho eterno” e agora li em apenas vin...

O suporte da duchinha

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Astolfo nunca cultivou o seu lado que diz respeito às tarefas manuais . Desde cedo incutiu em si mesmo a idéia de que a vida deveria ser resolvida a partir da inteligência . Sempre foi muito cerebral. De maneira que para ele os afazeres manuais eram atributos daqueles desprovidos de uma inteligência apurada. Arrogante, não, inocente. Criou este modelinho para sua vida e assim viveu por muitos anos , até que um dia ... O saber em excesso envenena já o dizia Platão. Com isto ele não contava. Uma vida toda aparelhada a partir do saber ruiu nele e da noite para o dia . O desejo é amoral já o dizem os psicanalistas . Viu-se assim do nada , envenenado pelo saber . Desfez-se de centenas de livros e foi assim repensar o seu cotidiano . Desviou o olhar dos livros para realidade em si mesma . Tomou gosto pelo simples cotidiano. Numa dessas estava na varanda da piscina de sua casa, aguardando sua esposa que estava trabalhando, quando fo...

O palhaço

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Ontem foi feriado de Finados, celebração da vida eterna. Uns foram ao cemitério. Outros foram ao shopping. Uns, nem em um nem em outro. Alguns foram ao cemitério e ao shopping. Nós fomos ao shopping. Estar há 55 km do shopping Independência em Juiz de Fora é um privilégio para os trirrienses. Quando o shopping nasceu há não muito tempo eu pensava que não ia dar certo, muito grande – dizia com os meus botões. Logística nunca foi o meu forte. O shopping é um sucesso de público. Para você ter uma idéia – falo da minha praia – a livraria Saraiva está no shopping desde a inauguração, porém, começou não grandiosa, quantidade razoável de livros, DVD, cd, blu-ray, artigos de informática etc. Já cheguei a procurar alguns livros, até mesmo lançamentos, e não os encontrava na livraria. Hoje não, juntamente com o crescimento do shopping houve também o crescimento da Saraiva. A livraria está bombando. Procurei ontem um livro recente do ministro do STF, Carlos Ayres Britto, que trata do “O humani...

Dia de Finados

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Deixo aqui o registro de D. Henrique Soares da Costa, Bispo de Aracaju-SE, ou seja, uma breve reflexão sobre a morte neste Dia de Finados, ao mesmo tempo em que rendo minhas orações aos parentes e amigos já falecidos, que Deus nos abençoe. Cito: " É necessário deixar bem claro que a morte não é um mal absoluto, total: se fosse assim, o Filho de Deus não teria morrido! Ao contrário, Cristo não somente morreu como fez de sua morte um ato de amor: “O Pai me ama porque dou minha vida para de novo a retomar. Ninguém a tira de mim. Sou eu mesmo que a dou. Tenho o poder de dá-la e o poder de retomá-la. Esta é a ordem que recebi do meu Pai” (Jo 10,17s). “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Se, por um lado, Cristo morreu da nossa morte, isto é, com a angústia que lhe é própria enquanto algo que nos é imposto, algo que não desejamos e não escolhemos, por outro lado, transformou isto em abandono confiante no Deus vivo, esperança de ressurreição ...

"Contra um mundo melhor"

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Acabei de ler estes dias o livro “ Contra um mundo melhor – ensaios do afeto ” do filósofo Luiz Felipe Pondé, que também é colunista da Folha de São Paulo, onde escreve todas às segundas-feiras. Pondé é um desconstrutor da hipocrisia da sociedade atual. Bate em tudo com uma verve saborosa e rica. O livro reúne parte do seu trabalho publicado na Folha. É ótimo. Cito: “A intimidade só existe quando há invasão do outro. Acho muito engraçado quando os arautos da chamada “ética da alteridade” (o respeito ao “outro” como pilar das relações humanas” querem contaminar a promiscuidade da vida sexual e amorosa com esse papo de respeito ao outro. Quando você respeita o outro, é porque já ficou indiferente a ele. Quando amamos e desejamos, violamos. E ela pede mais. O mundo melhor com o qual os idiotas sonham é um mundo sem amor e sem desejo” Pág. 79. Cito: “Humildade é a grande virtude de Davi, motivo pelo qual é chamado de o “predileto de Deus”, porque pensa com o coração e por isso o tem no ...

Sêneca no Brasil

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Convidado pela FIESP – Federação das Indústrias de São Paulo, o filósofo Sêneca esteve no Brasil está semana, e num intervalo de uma agenda super requisitada, falou brevemente ao jornal Idéias . Idéias – O que o trouxe ao Brasil? Sêneca – Vim falar a um grupo de empresários sobre a importância de uma reflexão filosófica na gestão de negócios. Desenvolvimento e filosofia de vida andam juntos. Num mundo tão massificado por verdadeiros workaholics é necessário refletir sobre onde queremos chegar e como. Essa é a contribuição que um idoso filósofo veio tentar ofertar aos empresários brasileiros. Idéias – O senhor acha que ainda há espaço para filosofia no mundo atual? Sêneca – Evidente que sim. O homem desde os pré-socráticos reflete sobre o significado da vida e o seu significado no mundo. A filosofia objetiva entender o mundo e salvar as pessoas do medo da existência. Agimos impulsionados pelo medo: medo de envelhecer, medo de adoecer, medo de não ser aceito pelo outro, medo de...

A sociedade do medo

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Estamos em plena vigência da pandemia do medo na sociedade . Vivemos com medo de tudo . Evoluímos tecnologicamente e curiosamente aumentou o nosso medo . Temos medo da violência , medo de ter filhos , medo da perda do emprego , medo dos hackers , me do das bactérias , dos vírus desconhecidos , da carne aviária , do aquecimento global , do efeito estufa , da camada de ozônio , do tabaco , da velocidade dos carros , da AIDS , do colesterol alto , da pressão alta , do excesso de açúcar , da obesidade , enfim , até mesmo medo do outro . O medo é difundido na internet , nas revistas e nos jornais . Hoje mesmo (16/10) o GLOBO publica uma reportagem dizendo que “ panela mal conservada” pode contaminar os alimentos e levar a doenças como o Mal de Alzheimer. Evidente que não tenho a solução para tanto medo , afinal também estou com medo . João Paulo II no início de seu pontificado em 1978, disse: “ não tenham medo !” da janela de seu...

O Fred vai te pegar

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Quem ama o fluminense e frequenta a arquibancada sabe o que significa esta frase para torcida tricolor: “o Fred vai te pegar!” cantada com o peito repleto de paixão pela torcida sem igual. Frederico Chaves Guedes, o mineiro Fred chegou ao flu em 2009 vindo do Lyon da França. Jogador da seleção brasileira de 2006, sempre exerceu no flu a função de líder inconsteste. Devemos essencialmente a ele termos escapados do rebaixamento em 2009, quando Fred liderou uma série totalmente improvável de mais de sete vitórias consecutivas na reta final do brasileirão. Até hoje o time é chamado de “guerreiro” por causa daquela épica campanha. Fred fez de tudo, o principal, gols e mais gols. Com ele fomos tricampeões brasileiros em 2010, ainda que não tenha jogado muito em 2010, sempre foi reconhecido pelo grupo o nosso grande líder. Sofreu com seguidas contusões no flu, mas após o seu retorno à seleção brasileira, pelas mãos de Mano Menezes, voltou a ser o nosso Fred de 2009. Nós tricolores temos u...

Ondina minha filha

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Ondina é empregada doméstica das boas, sem trocadilho . Dedicada ao serviço , atenciosa , quase não falta ao trabalho . Ondina trabalha há mais de 22 anos na casa de dona Valdeth. Literalmente , ajudou a patroa criar os filhos dela, quatro , dois casais , uma vez que o marido de dona Valdeth sempre trabalhou viajando pelo país e pelo mundo . Ondina se adaptou bem as tecnologias atuais , gosta de computador e adora celular . Ondina usa tanto celular que trabalha com fones de ouvido . Isto é, ou está escutando música ou está atendendo ligação , que não param de tocar . Dona Valdeth se sente incomodada com os fones de ouvido em Ondina, porém , para evitar atritos , aceita a tal da modernidade em sua dedicada empregada . Os poucos minutos em que Ondina fica sem usar a praga do fone de ouvido a coisa parecem que pioram, porque o celular toca sem parar , o que irrita ainda mais dona Valdeth. Ondina minha filha! – exclama dona...

Steve Jobs - o caminho do amor

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O interessante discurso de Steve Jobs para os formandos da conceituada e prestigiada Universidade de Stanford nos EUA, nos dá a exata dimensão da complexidade de uma vida humana profissionalmente exitosa. Steve Jobs foi oferecido à adoção por sua mãe biológica que queria vê-lo adotado por alguém tivesse curso superior. Os pais adotivos que estavam na fila de adoção em busca de uma menina, receberam a notícia que a bola da vez era um menino. Aceitaram e adotaram Steve Jobs. No entanto, com o passar dos anos a mãe biológica de Jobs descubriu que os pais adotivos também não detinham curso superior. Negou-se a assinar a adoção, até que foi convencida pelos pais adotivos que se comprometeram a formar Jobs em curso superior. Jobs entrou para universidade, no entanto, os custos eram altíssimos, o sacrifício dos pais era demasiado, e as aulas não interessavam a Jobs. Moral da história: Jobs abandonou a universidade e nunca se formou. Como ele mesmo frisou neste memorável discurso, − segui ...

Facebook e as amizades

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O filósofo alemão Immanuel Kant de passagem pelo Brasil foi convidado a gravar o programa Roda Viva da TV Cultura . Antes da gravação , porém , gentilmente respondeu perguntas formuladas pela Revista Filosofia . Revista Filosofia : ─ De que maneira você compreende a questão da amizade que tanto se vê hoje nas redes sociais ? Kant – Penso que o que se dá via estas redes sociais não pode ser necessariamente chamado de amizade . A amizade pressupõe a meu ver o encontro pessoal e real entre as pessoas . Amizade virtual como o próprio nome diz é irreal . Se conheço uma pessoa , converso com ela , divido com ela minhas angústias e alegrias , posso vir a ser amigo dela no facebook. Porém , se só a conheço via facebook penso tratar-se de qualquer outra coisa , menos amizade, pelo menos por enquanto. Amizade é um encontro de corpo e mente , de olho no olho , e isto não ocorre nas redes sociais , pelo menos que eu saiba o com...