"O conto do amor"


Fui a Juiz de Fora com Nasta. Primeiro fui fazer coleta de sangue e após, ela foi ao comércio e eu procurei reencontrar a livraria Liberdade na Rua Santa Rita. Tinha um tempão que não ia à livraria que muito frequentei quando era sócio de um escritório de advocacia. Quantas e quantas vezes abandonei minha sala, passei a mão em meu casado e fugi para livraria Liberdade em Juiz de fora.

Foi bom revê-la. Está mais modernizada mais continua assim, pequenina como sempre. Olhei a estantes e lembrei-me que estava com desejo de ler alguma coisa escrita por Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da Folha. Pedi ao atendente que fizesse uma pesquisa no micro e apareceram dois livros de Contardo, “Adolescência” e “O conto do amor”. Passei os olhos, li a orelha e fiquei com o segundo.

Voltei para o estacionamento, abri os vidros do carro e fui ler “O conto do amor”. Tenho tido grandes alegrias na leitura de romance, dia desses li Cristóvão Tezza, “O filho eterno” e agora li em apenas vinte quatro horas “O conto do amor”. Li por puro prazer, o livro traz à tona algo que sempre me é caro a lembrança do Pai. O personagem Carlo Antonini criado por Contardo, procura reconstruir as últimas lembranças de seu pai, narradas a ele pouco antes do seu falecimento.

As viagens de Carlo a Itália, o contato com toda cultura da Renascença, a descrição dos locais repletos de cultura, e o seu relacionamento com Nicoletta são pontos marcantes do belíssimo romance, tão deliciosamente urdido por Contardo Calligaris. O livro é digno de um Jabuti. A trama é contagiante.

A reprodução dos afrescos e dos quadros no início do livro, a xícara de café na capa do livro dão o tom refinado do conteúdo do livro. Adoráveis encontros nos cafés italianos. Nunca atravessei o atlântico, mas me senti ali, vendo Carlo e Nicoletta desenrolando os fios que tracejam a vida deles e de certa forma, a nossa também. Os bons livros falam sempre do universal.

Aproveitei o prazer da leitura de “O conto do amor” para ligar para minha mãe e pedir a ela que me permita ler as cartas que meu pai escreveu para ela durante o período do namoro de deles. Ela de pronto, concordou sem interdições. Lá como cá a busca por vestígios é sempre motivante. Fico com o personagem de Carlo que quando indagado sobre a importância ou não de descobrir alguma coisa sobre o passado de seu pai, disse:

“Não acontece nada, acho. Só entenderei melhor o meu pai” pág. 68.

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