O paradoxo de Sócrates


Sempre me toca muito esta passagem da Bíblia escrita por são Paulo na Carta aos Romanos, que está assim transcrita: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro, pois em mim esta Lei: quando quero fazer o bem, que se me depara é o mal.” (Carta aos Romanos 7, 18-21).

São Paulo chega a dizer, “encontro esta Lei em mim”. Pois é, o ser humano vive essa contradição na carne, no corpo, quer o bem e faz o mal. Nosso cracaço de bola Dr. Sócrates Brasileiro queria morrer ao 57 anos? Evidente que não, porque então bebeu daquele jeito, porque sucumbiu aos desejos da carne. Ele mesmo dizia, “não saberia viver careta”. Aliás, se incluirmos as drogas lícitas, tranquilizantes e afins, poucos vivem “caretanos dias atuais.

Adoro ressaltar este paradoxo humano, não para culpar a mim e aos outros, muito pelo contrário, o que eu quero é falar que também sinto em mim fortemente o que diz são Paulo. Não sou diferente de Sócrates. Também faço coisas que depois nem acredito ter feito, o mal que habita em mim está sempre à espreita.

O que eu admirava em Sócrates é esta afirmação de sua frágil condição humana. Os frágeis me emocionam muito mais. Se por um lado Sócrates pregou e viveu a democracia, por outro lado não escondia de si e nem dos outros que a grande batalha da “carneele estava perdendo desdemuito. E ao seu tempo todos nós também perderemos, de uma forma ou de outra, fiquemos com as nossas pedras bem guardadinhas na palma da mão.

Zuenir Ventura escreve no GLOBO de hoje (07/12/11) uma passagem que merece destaque: “Quando soube que Sócrates estava na fase terminal, em lenta e sofrida agonia aos 57 anos, não consegui me conformar. Como um cara tão lúcido e inteligente, com uma bela trajetória de luta e resistência, de conquistas dentro e fora do campo, deixou-se destruir assim pela bebida?”

Respondo eu: bebendo. Deveria ser assim? Não, mas é. Somos assim, contraditórios por essência. Acuso nos outros aquilo que de errado também faço. A vida esta repleta de pessoas assim, inclusive as igrejas, humanos pobres humanos. Pregamos tedra aos outros mais a nossa mesma esta repleta de cupim. Somos muito menos do que imaginamos ser, ou então, se assim não for que atirem a primeira pedra.

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