O paradoxo de Sócrates
Adoro ressaltar este paradoxo humano , não para culpar a mim e aos outros , muito pelo contrário , o que eu quero é falar que também sinto em mim fortemente o que diz são Paulo. Não sou diferente de Sócrates. Também faço coisas que depois nem acredito ter feito , o mal que habita em mim está sempre à espreita .
O que eu admirava em Sócrates é esta afirmação de sua frágil condição humana . Os frágeis me emocionam muito mais . Se por um lado Sócrates pregou e viveu a democracia , por outro lado não escondia de si e nem dos outros que a grande batalha da “carne ” ele estava perdendo desde há muito . E ao seu tempo todos nós também perderemos, de uma forma ou de outra , fiquemos com as nossas pedras bem guardadinhas na palma da mão .
Zuenir Ventura escreve no GLOBO de hoje (07/12/11) uma passagem que merece destaque : “Quando soube que Sócrates estava na fase terminal , em lenta e sofrida agonia aos 57 anos , não consegui me conformar . Como um cara tão lúcido e inteligente , com uma bela trajetória de luta e resistência , de conquistas dentro e fora do campo , deixou-se destruir assim pela bebida ?”
Respondo eu : bebendo. Deveria ser assim ? Não , mas é. Somos assim , contraditórios por essência . Acuso nos outros aquilo que de errado também faço. A vida esta repleta de pessoas assim , inclusive as igrejas , humanos pobres humanos . Pregamos cá tedra aos outros mais a nossa mesma esta repleta de cupim . Somos muito menos do que imaginamos ser , ou então , se assim não for que atirem a primeira pedra .
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