Muita festa e pouca realidade

De um lado os evangélicos com a sedução pregada aos borbotões de uma vida melhor. É ligar a televisão e os programas evangélicos pululam aos montes: “milagres” de curas sendo praticado ao vivo; prosperidade na família; estava falido vendi tudo e entregue os recursos para a igreja, e hoje estou feliz e rico; e por a fora vão os “testemunhos” de um mundo que ora perdeu o sentido da transcendência e ora mercantilizou este desejo infinito que vive no homem.

De outro lado, também vemos o chamado catolicismo light ou diet, daqueles que nada praticam de religiosidade e tentam fazer da vida uma fuga da morte. A mentalidade destes católicos é fácil de resumir: aproveitar a vida numa dissipação do consumismo hedonista, do cultural como espetáculo e do turismo como distração. Assim, o sentido da vida é banalizado e ficam poucos resquícios de Deus, fato que não passa despercebido à mente atenta de D. Henrique Soares da Costa, Bispo auxiliar de Aracajú-SE.

Nunca se viajou tanto! Nunca se comprou tanto! Nunca se viu tantos e tantos espetáculos, shows, etc! A sensação que se tem ainda que isto não seja explicitamente verbalizado é de que temos um pavor imenso de morrer, e morrer agora, neste momento, neste instante, por isso esta correria toda em busca de tudo consumir, tudo ver, tudo comemorar, tudo sentir, enfim de aproveitar até a última gotinha de vida...

Nãomais local para o silencio, para a oração quieta e meditativa, para o não ir, para o deixar ficar, para o recolhimento, para um momento de ESPERA. A palavra ESPERA ficou fora de moda, não sabemos mais ESPERAR. ESPERAR virou um castigo para todos nós. Enfim vivemos um período em que nosso relacionamento com o transcendente está totalmente equivocado, seja nos ambientes religiosos e máxime nos locais leigos. Infelizmente, estamos vivendo uma pobre imanência, tudo é o material, e tudo fast.

Basta ver as missas católicas, canta-se muito e reza-se menos. Por exemplo: eu não gosto da substituição das orações da CONFISSÃO (Confesso a Deus, todo poderoso...), ou mesmo o hino do GLÓRIA (Glória a Deus nas alturas...), pela cantoria de músicas em seus lugares, francamente, eu prefiro a recitações das orações, é muito mais meditativo e reflexivo, haja ouvido para tanta musicalidade, é muito barulho e pouca introspecção, muita festa e pouca realidade.

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