Opção sexual



Sexo nunca é um tema fácil, taí algo simples de fazer, mas complicado de se discutir. Sem inocência, então, à questão da opção sexual. Não farei este breve trajeto sozinho, me valerei de Contardo Calligaris e de Frei Betto, tão somente pela afinidade no tratamento que os dois dão ao tema. De cara assevero: Deus é amor, ponto. Para mim Deus não é amor e depois vírgula, contanto, todavia, porém, entretanto etc. Deus é amor e ponto.

Isso porque, como lembra Frei Betto, “Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatária da graça divina” (“Os gays e a Bíblia” – site amaivos).

O escritor e psicanalista Contardo Calligaris pontifica que em 1980, a homossexualidade sumiu do “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais”, e em 1990, ela foi retirada das listas de doenças da Organização Mundial de Saúde. Médicos, psiquiatras e psicólogos não podem oferecer uma cura para uma condição que, em suas disciplinas, não é uma doença, nem um distúrbio, nem um transtorno – assevera Calligaris. (“A cura gay” – Folha de São Paulo 05/07/2012).

Todavia, ainda há celerados como o deputado João Campos (PSDB-GO) que acha possível a cura dos homossexuais. Prefiro Calligaris, quando anota que mesmo aqueles homossexuais que porventura não concordam com a sua condição sexual não podem ser “curados” em terapia, mas, sim a partir de uma terapia criar-se uma condição de alívio no sentido de permitir que o indivíduo aceite sua sexualidade e pare de se condenar e de tentar se reprimir além da conta.

Tolerar os homossexuais e condenar o amor entre eles é um paradoxo total. Como católico compreendo a Igreja e também os cristãos evangélicos, todavia, ouso divergir. Repito, ou Deus é amor e ponto, ou Deus é amor, vírgula, contanto, porém, todavia, mas... aí já não é mais amor, e muito menos misericórdia, neste sentido a moral religiosa atual só faz aumentar o sofrimento dos homossexuais, vitimando-os assim como os leprosos ao tempo de Jesus.

Não há terapia e muito menos religião que “cure” o desejo. O desejo é amoral e cobra um preço alto pela sua não realização. É ingênuo, covarde e desumano pensar que não é assim. Como lembra Calligaris, “O desejo sexual humano é teimoso: uma psicoterapia que vise reforçar os argumentos (internos e externos) pelos quais o indivíduo se opõe à sua própria fantasia ou orientação não consegue mudança alguma, mas apenas acirra a contradição da qual o indivíduo sofre. Conclusão: o paciente acaba vivendo na culpa de estar se traindo sempre – traindo quer seja seu desejo, quer seja os princípios em nome dos quais ele queria e não consegue reprimir seu desejo”.

Sejamos leve aos outros...

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