Notas sobre Dom Eugenio Sales



Muito embora não tenha participado da geração que observou de perto o sacerdócio incansável do cardeal Dom Eugenio Sales, não gostaria como católico, que esta coluna passasse em branco diante de seu falecimento. Sou da geração de Bento XVI já como Papa, apesar de não ser novinho, só de 2005 para cá é que eu de fato acompanho as notícias do mundo católico. De maneira que pouco acompanhei o pontificado de João Paulo II e, por conseguinte, também não saberia falar sobre Dom Eugenio Sales.

Fico com as repercussões dos jornais. Antes de citá-las, digo que sinto, sinceramente, que com a queda do número de católicos no Brasil, somado ao fato de estarmos em meio a uma sociedade mais consumista e menos centrada no sagrado, será pouco provável que o Brasil volte a ter um homem de fé com tanto poder, prestígio e influência moral, como ocorreu com Dom Eugenio Sales. Evidente, que falo do chão da minha ignorância sociológica. Mas, esta é a minha impressão nos dias atuais.

Padre Paulo Ricardo gravou um vídeo que está no youtube, sobre a fidelidade de Dom Eugenio para com a Igreja católica, referida característica me parece bem marcante, era um homem de fé e obediência, fato raro hoje em dia até mesmo no seio da Igreja. Num mundo marcado por tanto senões, dúvidas, escolhas, possibilidades, dissensos, fazer memória a este homem de Deus é também acreditar que de fato a “fé é o fundamento da esperança”. O Cardeal Sales morreu na fé, na esperança e, sobretudo na fidelidade a Igreja de Cristo. Em seu testamento disse: “No céu, espero retribuir toda gratidão recebida”.

O Santo Padre Bento XVI assim o definiu: “Dom Eugenio Sales foi uma autêntica testemunha do Evangelho no meio do seu povo, foi um intrépido pastor”.

Luiz Paulo Horta, jornalista do GLOBO que muito admiro assim registrou seu óbito: “A primeira impressão que ele passava era de força contida. Aquele homem alto, magro, ainda atlético quando eu o conheci, evidentemente não estava na vida para brincar. Em seguida a impressão se atenuava, porque ele era bem humorado e tinha o toque envolvente de um político. Tenho quase certeza de que ele e seu amigo Helder Câmara – tão diferentes, sob alguns aspectos – teriam terminado governando um estado do Nordeste (de onde eles vinham) se não tivessem seguido a carreira eclesiástica.”

Linda mesma foi a despedida de Dom Henrique Soares da Costa ao cardeal Eugenio Sales, em seu blog. Razão pela qual termino com ela: “Até o céu, Servo bom e fiel! Adeus! A Deus! Até Deus!”.

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