Ouse ignorar


"Com Kant, a razão humana proclamava sua independência do mundo externo, mudando radicalmente o sentido da "verdade". Antes, a verdade consistia na coincidência do pensado com a ordem dos fatos conhecidos. Agora, passava a ser a obediência a uma filtragem racional predeterminada, a um método livremente concebido pela razão por meio da análise kantiana de si mesma.

Mas, se tudo o que nos é acessível vem do nosso aparato de percepção, e se as percepções por sua vez têm de ser enquadradas nas categorias do pensamento racional, o resultado é que nossa razão é soberana em face de todo objeto de conhecimento possível: ela não tem de prestar satisfações a nenhuma "realidade" externa, mas, ao contrário, ela determina as condições que essa realidade tem de cumprir para ser admitida no mundo do conhecimento.

A sentença "Se os fatos não confirmam a minha teoria, pior para os fatos" é de Hegel, mas ela expressa antes a quintessência do iluminismo kantiano. O sentido interior, esotérico, do "Ouse saber", é no fim das contas "Ouse ignorar": entre os fatos e o método, prefira o método. Obscurantismo é o nome secreto do iluminismo." - "A ousadia da ignorância" - OLAVO DE CARVALHO

OBSERVAÇÃO MINHA - Acima estão fragmentos do texto, o título eu que escolhi. É uma crítica ao "Aude sapere!", "ouse saber!", preconizado pelo iluminismo.

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