O Direito em minha vida
Quando uma encruzilhada bateu em minha vida, pois já estava com vinte anos e ainda não havia ingressado numa universidade, meus botões falaram comigo, − por que não fazer Direito? Vocação? Sei não, apenas sempre fui bem articulado, mas, de leitura mediana.
Cheguei a UCP em 1986 sem nenhuma condição financeira, trazia no bolso vazio apenas o desejo de uma profissão. Saí da UCP em 1991. Seis meses depois estava estagiando em um escritório, justamente com foco no direito tributário, minha paixão até hoje.
Só cheguei ao direito tributário porque primeiro me apaixonei pela teoria geral do direito. Quando ouvi pela primeira vez que havia uma distinção entre o mundo do ser e o mundo do dever-ser, descobri minha outra vocação: a filosofia do direito. Kelsen havia me arrebatado...
Foi em Paulo de Barros Carvalho que encontrei o meu maior conforto intelectual. Até hoje me lembro quando comprei o meu primeiro Curso de Direito Tributário. Ali, em Paulo de Barros Carvalho deitei minha formação em teoria geral do direito, filosofia do direito e direito tributário. Quando entrei para o mestrado em 1997 eu já era praticamente formado pela escola paulista de direito tributário, o que rendeu para mim uma feliz bolsa de estudos graciosamente me dada pelo escritório Ulhôa Canto − um dos maiores do país na minha área − na pessoa querida do Dr. Condorcet Rezende.
Retornei a UCP, minha casa querida em 2000, já como professor na cadeira de direito tributário. Uma vez UCP, sempre UCP. Naquela capela do Sion já vivi momentos de muita emoção e agradecimento, primeiro como aluno e depois como professor.
Escrevi isto tudo só para dizer da minha emoção de ter minha filha, Isadora, cursando justamente, Direito, minha grande paixão, na UCP, minha casa. Isadora hoje me mandou um torpedo dizendo que o querido amigo e professor, Danilo Badaró sugeriu que ela lesse o “Direito como processo de adaptação social”, no primeiro encontro que teve com seus alunos de introdução ao estudo do direito. Em minha mente e meu coração veio à tona novamente aquela descoberta que me fez apaixonar pelo Direito, qual seja, a “distinção entre o mundo do ser e o mundo do dever-ser”. Quem me conhece, sabe o quanto isto é caro para mim...
Machado de Assis diz no final de Memórias Póstumas de Brás Cubas: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. Pois, digo eu: tenho filhas transmite a elas o legado da minha apaixonada existência...
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